História

Histórico do Congregacionalismo no Brasil

O trabalho Congregacional chegou ao Brasil graças aos esforços missionários do Rev. Robert Reid Kalley, missionário escocês, que se dispôs a pregar o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo em terras brasileiras. Kalley, que era de origem Presbiteriana, partiu da Inglaterra, no século XIX, para a Ilha da Madeira, possessão portuguesa na época, localizada no norte da África, onde pregou o Evangelho durante alguns anos. Depois da experiência missionária na Ilha da Madeira, Kalley voltou para a Escócia, viajando pouco depois para o Oriente em companhia de sua esposa Margarida que veio a falecer naquela viagem.

Depois de ler o livro Reminiscência de Viagem e Residência no Brasil, de Daniel P. Kidder, e um apelo que o autor fazia à Sociedade Bíblica Americana para o envio de missionário para as terras brasileiras, o Dr. Kalley sentiu arder em seu coração o desejo de vir trabalhar em nosso País. Agora já acompanhado de sua segunda esposa Sarah Kalley, Dr. Robert Kalley desembarca no Rio de Janeiro em 1855 e estabelece-se em Petrópolis, onde realizou em 19 de agosto a primeira Escola Dominical no Brasil em língua portuguesa. Esta data é considerada como da fundação do trabalho Congregacional em nosso País.

Na cidade do Rio de Janeiro, em 1858, Robert Kalley organizou a primeira Igreja de governo Congregacional no nosso País, denominada Igreja Evangélica Fluminense, ainda hoje existente naquele cidade. Detentor de uma visão expansionista, o Missionário Kalley abriu um trabalho em Recife, em 1873, que recebeu o nome de Igreja Evangélica Pernambucana.  

Dr. Kalley conquistou muito prestígio entre a alta sociedade da época. Entre 1855 e 1866 publicou 35 artigos no Correio Mercantil. Depois de 1864 começou a publicar artigos no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro. Ele foi um instrumento para a modificação de leis referentes à liberdade de culto e separação entre Igreja e Estado: reconhecimento oficial do casamento dos não-católicos, registro civil de seus filhos, óbitos registrados em cartórios e reserva de espaços nos cemitérios para a sepultura dos protestantes. 

Em 17 de novembro de 1861, é publicado o "Salmos e Hinos", na época denominado "Música Sacra", com 50 letras de cânticos, sendo 18 salmos e 32 hinos, num pequeno volume de 18 páginas. Metade dos 50 hinos nessa edição foram escritos por Robert Kalley ou por sua esposa Sarah. Este hinário em suas edições sucessivas serviu a todas as denominações à medida que começaram a enraizar-se no Brasil. 

O casal Kalley retira-se definitivamente para a Escócia, em 10 de julho de 1876, oito dias depois de haver sido aceita pelas igrejas congregacionais o texto dos 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo. O legado mais importante dos Kalley consistiu no estabelecimento de uma igreja brasileira auto-suficiente. O trabalho Congregacional cresceu e mais tarde foi criada a União de Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, órgão que tem a finalidade de agregar as Igrejas Evangélicas Congregacionais do país.